quinta-feira, novembro 09, 2006

ESSE É O NÚMERO DO PROJETO DE
CONTROLE DA INTERNET: R$ 1.900.000.000,00


Um número, R$ 1.900.000.000,00 anuais, mais ou menos isso, 1,9 bi de reais, pode ser a chave que decifra o projeto de controle de acesso à Internet inventado pelo Eduardo Azeredo, aquele senador de não muito bem explicadas relações com a boa vida mensaleira. Para muitos pode ser que isto não passe de pura especulação, e não deixa de ser. Mas comece-se perguntando: a quem interessa a esdrúxula iniciativa? Aos provedores de acesso? Aos provedores de conteúdo? Não, não interessa a eles... interessa aos bancos. O "inocente" projeto, ao exigir a identificação do internauta de fato acaba por abrir a porta para a venda da cerificação digital. E a certificação digital é um negócio começado pelo Serasa, que é dos bancos e para os bancos, a venda de E-CPF’s a partir de “módicos” R$ 100,00 anuais. É nela, na
comercialização dos E-CPF’s que pode desembocar essa
“inocente” e nova bem urdida tessitura congressista de “defesa” dos interesses dos internautas, livrando o investimento e a responsabilidade dos bancos na hora de proteger o consumidor dos crimes cibernéticos. De lambuja fazendo imaginar generosas quireras de patrocínio para campanhas políticas. A conta como sempre, acabará sendo nossa. E tudo segundo o “espírito da lei”.

É claro que, em chegando à certificação, poderemos ser chamados a colaborar para renovar a vida dos cartórios. Cada internauta terá que provar que está vivo, apresentar documentos com firmas reconhecidas, cópias autenticadas, essas coisas inúteis, velhas e tão falsas como quem imagina pedi-las ainda - Certidão de Nascimento, Certidão de Estado Civil, Atestado de Residência, Atestado de Bons Antecedentes, Ficha Corrida Policial, Atestado de Saúde Física e Mental, CPF, RG, talvez um Diploma de Navegador da WEB (um pouco de corporativismo não vai mal). Ninguém falou nisso, mas vai que um dos 500 companheiros do Eduardo de repente se imbua de defensor de uma internet segura, legal e, pior, organizadinha! Afinal, podendo complicar, para que simplificar (a nossa vida, lógico).

O pai do projeto, Eduardo Azeredo, foi tentar explicar esse seu

Frankenstein numa entrevista ao UOL, ontem. Não disse nada,
como é o hábito de quem se acha autoridade, e deixou a
impressão de que inexistem argumentos reais e verdadeiros para a defesa da iniciativa. Um deputado, Miro Teixeira, também em entrevista ao UOL, tentando demonstrar domínio da matéria e aparentando certo bom senso desmontou o monstrengo, depois de uma aula de direito – falou em direito substantivo, direito consuetudinário, distinção dos códigos Penal e Processual Penal. Graças, Deus! Um inventor a menos, por ora. Torçamos para que prevaleça o bom senso ou ligeirinho estaremos vivendo o arremedo de um capítulo do “1984” de George Orwell.

Importa ficar alerta. Como é notório, o perigo mora em Brasília, de um e de outro lado da praça.



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