quinta-feira, julho 26, 2012

PASSANT, SOUVIENS-TOI!



A data de 17 de julho nunca me disse coisa alguma, exceto por, nesse dia, uns 30 e alguns anos atrás, ter nevado em Curitiba – desafortunadamente não vi, passei por ela  na véspera (eu ainda morava em Bento Gonçalves/RS). Tempos depois, adotando a cidade para viver, aprendi a cultuar o fato, como vendido pelas notícias, fotos e papos. Agora, num momento inesperado, acabo de descobrir que esse dia 17 de julho encerra muito mais, como data a ser lembrada pela humanidade.


Eram 9h30m da manhã e caminhávamos pelo Boulevard des Grenelles para apanhar o métro. Frente à estação Bir-Hakein, me dei conta de um jardim, pequeno e bem arranjado, abraçado por vários prédios. Uma esmerada estrela de Daví feita com flores, logo abaixo de uma grande placa, bouquets de flores em azul, branco e vermelho, tudo me trazia a consciência de um momento trágico: ali, em 17 de julho de 1942, o governo colaboracionista de Vichy, e sua polícia controlada pelos nazistas, prendeu e torturou 13.152 judeus, todos mandados depois para a morte em Auschwitz. Foi um momento forte e perturbador, para mim. Eu vivia a história onde e como acontecida.



Memoriais como esse se espalham por Paris e a França, e muitos outros cantos da Europa, contribuindo para reafirmar a crença nas possibilidades do Homem e na Paz.. Servem como mensagem de esperança às populações locais,  aos milhares de migrantes que aportam ao continente europeu, sacodem os turistas em seu aparente descomprometimento – não há como ignorar esses ícones. 

Em meu último dia em Paris, sexta-feira última, passeando pela Gare de l'Est – ela atende aos trens de alta velocidade -,enquanto esperava pelo trem que me levaria a Frankfurt,  me deparei com outro memorial. Ele assinala as atrocidades nazistas  e dos colaboracionistas, desde trabalhos forçados de jovens franceses à deportação de mais de 70.000 judeus - apenas 2.500 sobreviveram - sem esquecer de cantar a morte heroica de ferroviários na defesa da França.


Tudo para nunca ser esquecido.






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